Desencaixotando Rita

Desencaixotando Rita

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Ontem

como se aguardasse uma tempestade, ela saiu recobrindo todos os espelhos da casa com as antigas toalhas bordadas de sua avó.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Dos personagens de cinema

Quando adolescente quis muito ser uma personagem de Tim Burton, gótica, cheia de constrastes e irreal.
Obviamente não cheguei nem perto.

Em seguida flertei com a Nouvelle Vague e suas mulheres multifacetadas e encantadoras. Também não me coube o papel.
Quis ser voluptuosa e felliniana; neuroticamente inteligente e cômica sob o olhar de Woody Allen. Mas me faltaram os peitos e o espírito.

Desejei ainda o charme onírico e a loucura cafona de Lynch, mas a minha loucura era real demais. A beleza um quê demoníaca de Pollanski exerceu um certo apelo, porém carrego comigo uma covardia que é incompatível com os abismos de alma nela implicados.

Fugi de Bergman enquanto pude. Mas ele estava lá. Eu estava lá, na verdade. Enquadrada.
Não adiantou tentar escapar.
O desnudamento das minhas vísceras, o esgarçamento dos meus limites. Retratados.
E se essa constatação não me causa qualquer prazer, digo alto e claro: troco todas as minhas camadas psicológicas e disposição metafísica, toda a minha intensidade emocional pela simplicidade de uma comédia romântica.
Uma heroína com um simples final feliz.