Desencaixotando Rita

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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

"diário de plutão"














no núcleo profundamente azul 
                   do poema
é difícil manter 
os planos 
        sensoriais
em seus devidos          lugares.
não sabemos se esta casa 
com pé direito infinito
-- essa ruína delicada
 que você inventou --

        é mesmo segura.

espreito entre crateras
un fuego aplainado, 
uma arquitetura cálida
         de vulcões
sobre planícies geladas

e a verdade é que
não se dissipa
não se dissipa nunca
o que o amor causa ao poeta

[o obscurecimento da luz
no aprendizado da treva]

essa licença excepcional
para escrever barbaridades,
escuridões, amenas desculpas
para pequenos assassinatos.
é tarde: 
para iniciar a noite
de fúrias e os copos descartáveis.
é imensamente tarde
para enviar os convites, as cadeiras,
as flores e a beleza desmesurada
dos ínícios no fundo
me atemoriza.

.....................................................

"os diários são perversos
até que algo seja perdido,
até que o mistério te trespasse
como um arpão
e você estale, crepitando
o suave espanto: o desejo,
o desejo fremido
por aquilo que se aquieta lento
                           no torvelinho 
 de um planeta muito recente."






sexta-feira, 21 de agosto de 2015

"hexagrama 29"


:
suturar a falha sísmica
que te compreende 
em cada golpe; 
anestesias (uns goles a mais,
um a menos,
não importa). inscrever a alegria, 
              o terror, 
liberar os galgos
no perímetro insubordinado 
da tua caixa torácica,
                  pois você
você me ataca 
         onde sou 
dolorosamente permeável;  
frequenta lugares perigosos
no meu peito
e te inauguro de escuro:

teu delírio a seiva o suco.

sucumbo de exaustão
aos pulinhos,
respirando o fogo
em       i n t e r v a l o s
de compasso opressivo.
               a noite, 
nos teus ombros,
é clareira aberta,
  geografia finita
ao susto que antecipa
a caça, a carnificina. 
conheço de cor
 o sonho do deus
            que habita 
            o teu grão.