Desencaixotando Rita

Desencaixotando Rita

domingo, 30 de maio de 2010

A lira - nem um pouco lírica - dos vinte anos

Como aparentemente hoje é um dia de esgotar todos os possíveis sentidos da palavra 'caixa', resolvo abrir mais uma. Depois de ter sido 'encaixada' a contragosto, lá vou eu desencaixotar mais uma das várias que se enfileiram por aqui, acumuladas, empoeiradas. Uma caixa especial.
A dos vinte anos.

Embora eu me veja, sem dúvida, intimamente constrangida diante da intensidade pueril do texto, ainda assim eu posto.
Ainda é um mistério para mim ser possível que alguns dos sentimentos meus de cinco, dez e até quinze anos atrás apresentem uma semelhança univitelina - tão siamesa! - com o que eu sinto hoje. Como se a Rita de hoje compartilhasse algo de inteiriço, indivisível até, com as de antes.
É estranho reconhecer que mesmo não sendo eu a mesma, há definitivamente algo que permanece. Que atravessa a minha vida - e me atravessa - e me define, quase conferindo um suave contorno à minha indefinição.

Posto ainda porque hoje, cinco anos depois, além de ser surpreendida pela semelhança, pela atualidade destes sentimentos, não posso deixar de rir de mim mesma (a de hoje e a de antes).
É com uma certa complacência, quase materna até, que eu olho essas palavras escritas tão convictas e jorradas, numa urgência que eu conheço tão bem.
Na mesma urgência, mas com um humor mais sóbrio e autocrítico, constato que permaneço a mesma dramática de cinco, dez anos passados.

Algumas coisas são insolúveis. Fazer o que?


Hoje eu quero algo que me derrube. Uma bebida forte, rápida.

Que desça destilada pela garganta e que ofenda durante o percurso. Que faça tudo girar em menos de vinte minutos. Para que eu possa girar junto, como uma bailarina trôpega na meia-ponta, subindo. Degraus imaginários e os que surgem do nada.

Um tapa.

Mas eu não quero anestesias.

Eu quero a dor que supera a agonia. Minhas unhas sendo arrancadas com pinças, alicates.

A dor que dói e arde, que lateja. Que chega, se instala e nunca me deixa. Aguda. Agulha. Fina, insistente. Forte e estridente. Quieta e latente.

A dor que não me abandona. Que não sai pela porta e me esquece. Aquela que anoitece e acorda comigo, sóbria ou sorridente.

Que não mente. A dor que sente, que é sentida. Que é triste, comovida, simples e descolorida.

Eu quero uma dor minha. Verdadeira, dramática e sangrenta. Eu quero um vestido antigo dos anos vinte com paetês pálidos e pérolas desbotadas, esquecido. Quero a dor compartilhada com um amigo.

Quero ser de verdade. Pessoa e não personagem. Sair dos quadrinhos preto e branco para uma floresta tropical. Com cobras que picam e se enrolam em mim; macacos e micos pequenos e mosquitos; aranhas e formigas. Para eu matar e cozinhar para você.

Eu quero a dor de ter alguém. De perder. De não esquecer, de doer, doer, doer.

Eu quero a dor de dormir, acordar e ainda estar lá.

A dor de ser. A dor de ser uma. A dor de ser duas. A dor de ser sua.

Eu quero aceitar a dor de estar sempre sóbria mesmo quando bêbada. A dor de nada.

Obrigada, aceito. A dor que foi comprada e a que não foi. A dor que virou piada e aquela, podre, que nem foi contada.

Eu quero ser amada. E amar.

E odiar e depois relevar.

E amar. E doer.

Doer e sangrar. E ficar triste porque a escova de dente comprada nunca foi usada. Porque o isqueiro foi esquecido na minha cabeceira. E você ficou na minha cabeça. Doendo. Sangrando.

Sagrado. Imaculado. Uma mancha esbranquiçada, viscosa no meu vestido negro.

Tão injusto. A dor que não pedi.

Eu não pedi. A dor de não existir mais. Não existir mais para você.

Atropelada e ensangüentada. Ossos quebrados e vísceras misturadas.

Eu era. Eu fui. Agora não mais. Eu não dôo mais.

Eu ruí e desmoronei de uma única vez.

Agora não sinto mais.

Parei.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Em resposta a um amigo

Acho que a essas alturas, já posso me declarar rainha da umidade também. E tal como as suas samambaias, também sou psicóloga mafiosa. E faço do silêncio um mundo; mudo como a maré e, esse meu mundo amordaçado eu ofereço já no cartão de visitas.

Telurizar? Foi-se o tempo.
Agora, meu querido, estou sob a égide do líquido. Rainha dos cataclismas marítimos e dos ciclones que vêm do mar.

A água penetra. Esgueira-se por fissuras e capilares, preenchendo cada intervalo, cada espaço abandonado por você, por ele. E sabe o que é pior?
Eu bebo.
A cada gole, tudo se desmancha, liquefaz. E louca, louca eu rio: bebi demais, não?

Mas estranho. Não há lágrimas.
Tempos que não vejo sinal delas por aqui. Penso que de riacho em riacho, estagnei feito poço. E não posso, não posso continuar assim.
Preciso desembocar. Desembocar ao mar.

O sal. É dele que eu preciso.
Chorar.

Antes que os torvelinhos de osmose descartem de vez os meus contornos já tão porosos e intercambiáveis e de tão rarefeita, eu desapareça.
Assim, de vez.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Queimem as calcinhas!



Isso mesmo.
Terça-feira passada. Ginecologista nova.
Mulher ainda jovem, alta - mais alta do que eu -, perfeitamente equilibrada e segura na crista dos seus quarenta e cinco anos mais ou menos. Bonita mesmo, de franja arruivada e repicada caindo sobre o olho esquerdo. Me surge com essa.
Sutiãs? Nada.
O negócio agora é livrar-se das calcinhas.
"Calcinha para que?!" - ela me pergunta jocosa, no decibel mais estridente da voz levemente anasalada, que pensei quase comovida assemelhar-se ao timbre de uma iguana que porventura um dia decidisse pôr-se a falar.
E eu aparvalhada, sentada na beira da cadeira, sem saber o que lhe responder enquanto ela me encarava inquisitiva e não duvido, secretamente divertida.
É.
Não saí do consultório antes de lhe prometer a eliminação paulatina e perseverante de tal inutilidade do vestuário feminino em minha vida.
Cheguei em casa de fato considerando a procedência da injunção da doutora. Disposta a me tornar uma mulher mais consciente do meu direito ancestral de andar livre por aí; despojada de elásticos e rendas - e 'deus' não permita, fio-dental! -, instrumentos pouco salutares e inequívocos de opressão feminina.
Conversando ainda bastante impactada com uma amiga, acabo confessando um pouco envergonhada:
- O problema é que, no fim das contas, sem calcinha eu meio que me sinto nua, sabe?... - ao que ela me solta uma gargalhada e rebate imediatamente:
- É, Rita. Deve ser porque sem calcinha você está de fato nua! Inclusive, dificilmente dá para ficar mais nua do que isso, eu acho. 'Sem-calcinha' costuma ser sempre todo um outro nível de nudez, geralmente o último nível... Embora não sempre.
Pois então.
Sem estar convencida, resolvo experimentar.
Em casa, à noite. Seguindo a cartilha de passo a passo da médica inverossímil, resolvo dormir sem.
Tranqüilo.
No dia seguinte, decido ousar. Saio para o supermercado no fim da tarde de vestido compridinho, livre e soltinha.
Não tão tranqüilo. Mas foi, passou.
Dia seguinte. Continuo na minha escala progressiva de audácia, muito conectada com as vicissitudes e novas configurações da mulher pós-moderna e novamente me despeço da peça, desta vez mais apreensiva e titubeante.
Respiro fundo e em um assomo de coragem cruzo o corredor do meu andar, em direção ao elevador.
Dou meia-volta e retorno ao meu apartamento, com o rabo - e só ele, literalmente - entre as pernas.
Não deu.
Ir para a análise sem calcinha estava além, muito além das minhas forças.

Declaro todas as operações Sem-calcinha em 2010 suspensas por tempo indeterminado.
Acredito que ainda falta um tanto de análise para uma nova tentativa.
Por ora, a calcinha só vai embora nos momentos habituais. E tenho dito.

sábado, 22 de maio de 2010

Azul



Influenciada por dois autores que venho lido nos últimos meses, resolvo subverter um pouco a ordem das coisas ao postar hoje.
Como Vila-Matas (Enrique), decido começar o texto de hoje pela nota de rodapé - ao que ele faz bem mais, visto que se deu ao gracioso trabalho de escrever um livro inteiro só de notas de rodapé. E ainda sobre o tema labiríntico do silêncio na literatura.
Tarefa complicadinha, porém fascinante essa de se embrenhar no que ele chamou de Síndrome de Bartleby. O mal último e secular na literatura, que culmina na gaguez e por fim, na mudez completa e irremediável.
E como Abelaira (Augusto), eu opto por desalinhavar a linearidade óbvia do tempo cronológico, fazendo passado e presente se interpenetrarem, numa sobreposição de sentidos, orquestrada por sua vez pelo princípio, que talvez seja o único que eu considere absoluto: a repetição.
Ainda que eu esteja me referindo à repetição diferencial.
E ainda que eu queira muito que ela seja diferencial, praticamente sendo uma aposta de fé.

Sendo assim, repito em vinte e dois de maio de dois mil e dez o azul - o azul oceânico - de vinte e seis de fevereiro de dois mil e oito.
Um dia de peixes, se me perguntam.

Espero.

E tal como tenho fé em mim mesma e ao mesmo tempo não tenho, espero.
Por isso preciso do silêncio; só no mais completo silêncio, no ruído algum de hoje, no azul profundo as palavras surgem translúcidas com a sonoridade tilintante dos cristais lapidados.
Como eu preciso desse silêncio hoje.
Queria essa calmaria ingurgitada que só têm os oceanos; o balançar lento e constante das tartarugas marinhas; o silêncio das baleias e cachalotes, seguidas por cardumes de peixes pequenos e prateados aos pinotes. Esse silêncio.
Da lisa pele gorda dos sirênios até meus dedos, as gotas escorrendo, uma por uma, sem som.

Queria também, em seguida, a força de uma tempestade que avança nesse exato momento, que irrompe, rasga e destrói a placidez daquilo que é líquido.
Porque esse mesmo silêncio que eu quero pede, mais que isso, ele existe para ser rompido, para ser consumido pelas tempestades elétricas de sentido.
Quero o silêncio e o curto-circuito.
Aquilo que é calmo e o que é disruptivo.
Num movimento pulsante, entre aquilo que vivo e o que não vivo, eu ligo, costuro o que o não faz sentido; ora me calo e ora repito.


Créditos da foto: Bernardo Castanho.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Na gafieira

Eu disse não.
Obrigada, mas não danço. Quer dizer, até danço. Mas só.
Não coordeno passos com ninguém.
"É que eu vi você sambando agora há pouco. Achei que talvez você quisesse..." - a frase elevou-se quase, quase, mas morreu antes da conclusão.
"Se você não sabe, eu te ensino. É fácil." - ele atalhou.
Não, obrigada. Sabe o que é? Eu estou meio cansada. - acrescentei um tanto desconfortável. Vou te dizer que nem dormir direito essa noite eu dormi.
Uma pausa curta.
"A noite foi boa, então."
A noite foi boa, eu repeti.
E um sorriso um pouco decepcionado se esboçou. Ele se despediu rapidamente e desapareceu na pista de dança.
Olho para os lados e percebo Laura me observando.
"Sabe, Rita, o Fernando não morde não!..."
Um instante pensativa e a resposta me afigura clara, como que explicando o verdadeiro motivo da minha recusa.
Mas eu mordo.
Eu disse em voz alta, para minha surpresa. E rindo, Laura replica brejeira antes de voltar rodopiante para a pista:
"É. Mas daí ele é que iria gostar."
Por isso mesmo - digo em voz baixa, quase um murmúrio inaudível. Mas ela não está mais lá.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Balada da ausência

Dos dedos entrelaçados
fez-se a distância.

E das cores cítricas e estivais
fez-se o azul-petróleo crepuscular
- alguns instantes mais avermelhado
antes da noite bruta se instaurar.

E eu?
Eis que me torno
uma mulher lunar.
Pálida e redonda,
fora de curso:
um satélite desolado

a girar.

Dos dedos entrelaçados
fez-se a ausência.

Do vestido coral,

a demora
e a gaveta.

Do olhar fulminante dele
- um cometa! -
apenas o telescópio,
a resignação tutelar
de luneta.

Da voz habitual,
o eco desaparecido
e fantasmal.
Uma galáxia interditada
por outra mulher bela
e setentrional.

A pairar,
o rosto envolto em brumas
leitosas,
tão densas e opacas
que nem anos tenazes de luz
seriam capazes
de dissipar.

Dos dedos entrelaçados,
fez-se a ausência



de universos inteiros.



E da ausência
eu,
sendo preenchida
por um azul espesso
e medular.

Agora,
da ausência
dos dedos apenas
a renúncia epidérmica do toque,
a falência do gesto.

A pantomima muda
e súplice
da distância
entre dois corpos,
que sequer um cataclisma
pode aproximar.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Se é para partir, que seja em incontáveis partes.

Cumprindo a promessa de desengavetar, tasco um texto mais do que encaixotado, esquecido no meu fotolog falecido, em idos de 2007.
Próximo do meu aniversário de 23 anos.

Era qualquer coisa sobre o solstício de verão daquele ano. E a minha pluralidade.
Um dia longo demais para tanta gente. Uma multidão.

Uma menção carinhosa à legião que habita em mim.

E aí vai:

"Àquelas que me constituem dedico o dia de hoje.
E por ser dos dias o mais longo, dedico ainda mais, pois que, ainda que algumas de vocês eu já tenha tido o prazer - a delícia, o desespero de conhecer - sei que há muitas ainda. Há mais.
Conheci algumas, dei nome a algumas, elas que são eu mesma. Elas que me esfacelam e decompõem em prisma multicor, em preto, branco e vermelho, guardando em si mesmas a chave do mosaico que sou.
Uma, duas, três, quantas...?
Não sei, e creio que não saberei. Não é importante.
Então múltipla - muitas, muitas mesmo - eu vou assim, seguindo. Caminhando na ponta dos pés quadrados, delineando com pegadas leves na areia, elas, vocês, eu mesma.
Contorno cada uma, me aproximo, e quando caio em mim mesma, já fui, já caí de mim mesma. Fui derrubada, tombada e já não sou o que sou.
Posso ser apenas o que fui, e agora, somente aquela que se aproxima cava os meu espaços.
E hoje, as cavidades são preenchidas em castanho e bege, em verde musgo e cor-de-tijolo; pingos de ouro envelhecido escorrem finos; opalas e safiras caem de mim aos borbotões.
Posso ser ela, e também posso não ser.
Às vezes tenho opção. Às vezes não.

Hoje escolho ser quantas forem, quantas quiserem ser através de mim, e quantas eu quiser ser.
Das mais suaves e belas; das vozes melífluas e cadenciadas, até as que gritam, com cabelos em desalinho, cujos gemidos eu pronuncio por vezes estrangulados e em rompantes de fúria.

Escolho até a inquieta, aquela que anda de um lado para o outro, sem sossego, sem respiração.
Eu convido a que chora, aquela que sopra tímidas gargalhadas sem som.
Dou voz às que cantam e às que desafinam, me submeto a todos os ardis, que me subornem. Que me denunciem.

Estão todas convidadas a comparecer hoje.
O dia foi longo, contudo a noite será curta. É preciso que se revezem.
Há convites para as que enganam, e também para aquelas que são dolorosamente sinceras; as pérfidas, que venham. Por que não?
Posso ainda convocar aquelas que dançam e que são vivazes, e lilases e plenas de cor. Essas eu já fui.
Por fim, chamo as perigosas, aquelas que cuidadosamente evito - as charmosas e as letais.
Podem vir, eu convido. Convido todas as demais."

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Encaixotar ou desencaixotar?

Afinal sucumbi.
Já foram alguns anos cogitando fazer um blog. Puxando pela memória, pelo menos uns quatro ou cinco que alguns amigos queridos e pessoas próximas insistem recorrentemente para que eu faça um.
E eu torcendo o nariz - no auge da minha nem tão pseudo-introversão - diante da possibilidade de me ver lida por pessoas estranhas.
É, me expor sempre foi um tanto tenso.
No entanto, para minha surpresa, é cada vez menos. A idéia de publicar no espaço virtual (ou mesmo em outros espaços) se torna cada vez menos distante e nebulosa. Tanto que aqui estou.
E então, inspirada pela minha paisagem interior imediata (e o que é pior, a exterior também), eis que surge este 'Encaixotando Rita', cujo objetivo último e existencial é paradoxalmente desencaixotar textos, idéias e, em última análise, com sorte, quem sabe eu mesma.
Se me encontro no presente e atualíssimo momento, cercada - e cerceada - por caixas, malas, recém-mudada de apartamento, acampada em um quarto ainda inóspito, a verdade é que essa paisagem estranhamente já me acompanha há tempos.
Estou quase sempre pronta a partir. Geralmente ao meio, mas esses são pontos sobre os quais é melhor silenciar. Por ora.
Afinal, ainda é novo para mim isso de desencaixotar.
Sou praticamente uma virgo intacta na arte de me deixar devassar. Literariamente, quero dizer.
Virtualmente, quero dizer. ;)
Mas me referia neste caso a mudar de endereço. Partir nunca foi fácil. Longe disso, sequer as mudanças singelas de bairro o foram e tampouco as mais drásticas, as de cidade.
Contudo, não fui poupada. Não sendo fácil, teve de ser difícil. E foram várias as vezes.
Cinco vezes, seis vezes não foram suficientes para fazer com que eu me acostumasse. Duvido que algum dia quinze sejam.
E cada mudança cobrando o seu quinhão. Móveis, memórias, livros, discos, maridos e pedaços significativos da minha história.
Algumas perdas incontabilizáveis. Entre mortos e feridos, ficaram as caixas. Algumas ainda lacradas, outras já abertas, aguardando o meu olhar.
Curioso.
Dou-me conta agora de que os textos engavetados, os livros, os cadernos apinhados de manuscritos semi-ininteligíveis em letra cursiva e retorcida, que já me acompanham nestas errâncias há anos, foram desencaixotados. Todos eles.
Um sinal?
Talvez bons auspícios estejam reservados a este blog.

Enfim.

Lanço a mim mesma o desafio de me desencaixotar.