Desencaixotando Rita

Desencaixotando Rita

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Bílis negra na boca

Essa dor é real? Sim, e pungente. Uma descida em queda-livre nos elevadores-de-parque-turístico-do- inferno, sem dúvida. Sou boa nisso.
Não posso, contudo, deixar de rir. De mim mesma, eu acho.

Rio com uma crueldade que me é estranha, mas tão real quanto a dor. Reprimo uma gargalhada ao observar a distância. Eu, os olhos desaguados, raiados de sangue, o coraçãozinho em frangalhos, a alma pesarosa, presa por um fio.
E ainda: pingando tinta marrom pela casa, ao migrar pia à pia, na peleja inacreditável de tirar a tinta de cabelo casting com um fio de água, antes de um estrago, de um naufrágio maior.

O meu sofrimento, afinal, pode ser real e pungente, não?
Tão real que pôde me deixar aparentemente surda ao zelador, que interfona, avisando com todas as letras que 'desligaria a água do prédio para um conserto em um apartamento do quarto andar'.

A verdade é que me questiono se não há nada mais real que esgotar a água encanada de pia em pia, até não restar uma gota. Os pingos de tinta marrom no assoalho assinam a pungência de lágrimas mais potentes que as minhas, eu acredito.

Uma toalha irremediavelmente manchada encerra o impasse interno e diz mais do que eu sou capaz.

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