Desencaixotando Rita

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

galápagos



há que existir um pacto telúrico:
               uma existência de trópico
exige essa consistência turva de 
                                        sulco.

o processo é doloroso
para aqueles que um dia
viveram
na água

           então, 
esse vermelho
tinge o mar todo
em coágulos 
         águas-vivas 
sanguinárias dançam
rascantes pela praia
          à noite
o seu relevo ulcerado
[a mesma superfície das
         estrelas marinhas]
retine a velha sereia 
em sua habitação
                 sem som

mas eu
eu não sobrevivo na água,

sou atravessada
por um baque luminoso
de holofote e dor.
perfuro a rocha 
e me livro das anêmonas
                         salgadas
feridas em fúria, 
em movimentos circulares,
            concêntricos.
atinjo a antecedência da terra,
                      mas permaneço
em estado de ilha, como em meditação 
forçada, como réptil que abdicou da
                          habilidade aquática,
em desajuste sólido, seco.
uma desadaptação equivocada,
esse desterro primeiro
que precede 
a espécie 
               e o reino.

3 comentários:

  1. " então,
    esse vermelho
    tinge o mar todo
    em coágulos
    águas-vivas
    sanguinárias dançam
    rascantes pela praia"


    ah...

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    Respostas
    1. sim, o vermelho anda tingindo tudo, moça!

      beware, beware...

      ;)

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    2. (reler)

      (é lindo demais isso aqui, rita)

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