Desencaixotando Rita

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sábado, 22 de novembro de 2014

"síndrome de estocolmo"

[        isso é o ensaio de algo?       ]
, você me pergunta na porta
            do quarto -  os hiatos
em meu discurso abertos à tua
observação, ao teu toque ruidoso.
       centro     e margem dispostos,
como num jogo de tabuleiro
e eu peço um   tempo    para responder,
pois não sou boa com cenas, com cri-
anças ou fogões, você sabe e sorri teu
sorriso netuniano. eu meio que desvio
o olhar e busco, nas paredes de cal,
por um orifício, um traço que      turve
        o teu corpo solarizado, bruto,
logo você me pergunta, irisado
de repente:
[     mas isso,   isso   tem nome?        ]
                 não, eu digo.
volto-me para a cama, desolada, pois
estes lençóis freáticos de crisálida
       em desalinho, desaguam
       no mar
       e não retornam jamais.

                             e esse é o ponto angular
da tua célula terrorista, amor,
cá estamos a lutar pela terrível liberdade
de bater os dentes , tremer de fome,
sede,   amor,                         hipnotizados
[   e  agora,    ainda   é    um    ensaio?    ]
                 pela oportunidade
de morrer,  amor,   
de morrer de medo.

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