Desencaixotando Rita

Desencaixotando Rita

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Em resposta a um amigo

Acho que a essas alturas, já posso me declarar rainha da umidade também. E tal como as suas samambaias, também sou psicóloga mafiosa. E faço do silêncio um mundo; mudo como a maré e, esse meu mundo amordaçado eu ofereço já no cartão de visitas.

Telurizar? Foi-se o tempo.
Agora, meu querido, estou sob a égide do líquido. Rainha dos cataclismas marítimos e dos ciclones que vêm do mar.

A água penetra. Esgueira-se por fissuras e capilares, preenchendo cada intervalo, cada espaço abandonado por você, por ele. E sabe o que é pior?
Eu bebo.
A cada gole, tudo se desmancha, liquefaz. E louca, louca eu rio: bebi demais, não?

Mas estranho. Não há lágrimas.
Tempos que não vejo sinal delas por aqui. Penso que de riacho em riacho, estagnei feito poço. E não posso, não posso continuar assim.
Preciso desembocar. Desembocar ao mar.

O sal. É dele que eu preciso.
Chorar.

Antes que os torvelinhos de osmose descartem de vez os meus contornos já tão porosos e intercambiáveis e de tão rarefeita, eu desapareça.
Assim, de vez.

Um comentário:

Comentam por aí...