Desencaixotando Rita

Desencaixotando Rita

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Queimem as calcinhas!



Isso mesmo.
Terça-feira passada. Ginecologista nova.
Mulher ainda jovem, alta - mais alta do que eu -, perfeitamente equilibrada e segura na crista dos seus quarenta e cinco anos mais ou menos. Bonita mesmo, de franja arruivada e repicada caindo sobre o olho esquerdo. Me surge com essa.
Sutiãs? Nada.
O negócio agora é livrar-se das calcinhas.
"Calcinha para que?!" - ela me pergunta jocosa, no decibel mais estridente da voz levemente anasalada, que pensei quase comovida assemelhar-se ao timbre de uma iguana que porventura um dia decidisse pôr-se a falar.
E eu aparvalhada, sentada na beira da cadeira, sem saber o que lhe responder enquanto ela me encarava inquisitiva e não duvido, secretamente divertida.
É.
Não saí do consultório antes de lhe prometer a eliminação paulatina e perseverante de tal inutilidade do vestuário feminino em minha vida.
Cheguei em casa de fato considerando a procedência da injunção da doutora. Disposta a me tornar uma mulher mais consciente do meu direito ancestral de andar livre por aí; despojada de elásticos e rendas - e 'deus' não permita, fio-dental! -, instrumentos pouco salutares e inequívocos de opressão feminina.
Conversando ainda bastante impactada com uma amiga, acabo confessando um pouco envergonhada:
- O problema é que, no fim das contas, sem calcinha eu meio que me sinto nua, sabe?... - ao que ela me solta uma gargalhada e rebate imediatamente:
- É, Rita. Deve ser porque sem calcinha você está de fato nua! Inclusive, dificilmente dá para ficar mais nua do que isso, eu acho. 'Sem-calcinha' costuma ser sempre todo um outro nível de nudez, geralmente o último nível... Embora não sempre.
Pois então.
Sem estar convencida, resolvo experimentar.
Em casa, à noite. Seguindo a cartilha de passo a passo da médica inverossímil, resolvo dormir sem.
Tranqüilo.
No dia seguinte, decido ousar. Saio para o supermercado no fim da tarde de vestido compridinho, livre e soltinha.
Não tão tranqüilo. Mas foi, passou.
Dia seguinte. Continuo na minha escala progressiva de audácia, muito conectada com as vicissitudes e novas configurações da mulher pós-moderna e novamente me despeço da peça, desta vez mais apreensiva e titubeante.
Respiro fundo e em um assomo de coragem cruzo o corredor do meu andar, em direção ao elevador.
Dou meia-volta e retorno ao meu apartamento, com o rabo - e só ele, literalmente - entre as pernas.
Não deu.
Ir para a análise sem calcinha estava além, muito além das minhas forças.

Declaro todas as operações Sem-calcinha em 2010 suspensas por tempo indeterminado.
Acredito que ainda falta um tanto de análise para uma nova tentativa.
Por ora, a calcinha só vai embora nos momentos habituais. E tenho dito.

6 comentários:


  1. 1. tu não precisa-sair-sem-calcinha. nem precisa falar disso em análise. Caraca, a gente é pega pinçada fisgada por cada coisa...

    2. já ouviu aquela música dos letícios? 'mamãe não pode saber que às vezes eu esqueço da calcinha...'
    ninguém no mercado podia saber, mas a internet... hihi

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  2. hahahaha

    1) Cara, é realmente impressionante o nível das bizarrices que têm me aparecido... Devo ter ingressado numa dimensão paralela em algum momento sem perceber. Ô.o

    2) Ninguém no mercado pode saber, fato. ;)
    Internet é toda uma ooutra história.
    O importante mesmo é que na vida real ninguém perceba. Só quem eu quiser que perceba, sacou?

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  3. Arrasou Rita. Não sabia desse babado. Sempre achei calcinhas e cuecas um atraso. Acho livre e sincero e verdadeiro. Mas também sei o quanto deve ser difícil tentar. Eu já tentei nas minhas andanças tirar a cueca. Não é uma boa ideia por razões estratégicas. Nesse ponto a cueca e a calcinha tem funções bem diferentes.

    Internet e supermercado são dois mundos. Eu vivo nu pela internet, promiscuidade virtual em salas de todos os mundos, desde que perdi a minha virgindade virtual. Mas no supermercado sou um recatado. Finjo modos e contenho ereções com a a ajuda da cueca.

    Beijos.

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  4. Ah, concordo plenamente com a sua ginecologista! Andar sem calcinha é estranho no início, mas você se acostuma! Não faço isso em todas as ocasiões porque não dá! Minissaia sem calcinha, por exemplo, é algo difícil. Calças também. Mas em várias ocasiões é muito mais prático. Calcinha é algo por vezes bastante medieval...

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  5. sem chance!!!!!!!!! soh de pensar em sair sem calcinha tenho espasmos de agonia. e essa doutora esqueceu de explicar uma coisinha: como é q se explica pro marido q agora vou andar por ai sem calcinha, meu deus?

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  6. uouuu não curto muito essa idéia, só que dá uma curiosidade de vez enquando, mas sempre desisto, rs.

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