Desencaixotando Rita

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sábado, 17 de julho de 2010

O caso da mangueira ardilosa*



Era uma vez um apartamento muito engraçado. Podia-se até fazer xixi, mas sob o risco de encontrar um lápis no vaso. Pois era isso. Havia um lápis itinerante na tubulação de nosso banheiro. Aparecia e desaparecia a seu belprazer.
Nunca soubemos o motivo de sua estadia errante em nossa casa. Tampouco como fôra parar lá.
Durante cerca de dois meses, um dos quartos abrigou um armário invisível. Demorou aproximadamente sete semanas para que ele pudesse finalmente se materializar. Foram semanas de intrincados rituais comandados pelo mago-montador Valdir e, depois de conjurar um sortilégio tijucano durante quase seis horas num sábado ensolarado de maio, o difícil armário, por fim, ergueu-se defronte à cama de molas e abriu suas portas.
Compreendemos naquele momento que alguns móveis precisam de um certo tempo. Não adianta apressar.
o apartamento tinha teto e paredes, sim, de fato tinha; sofá também tinha e até mesa, o que não tinha era fogão.
Quer dizer, até tinha. Mas veja bem, era um fogão de fachada. Alguns eletrodomésticos são assim, uma farsa. Era o caso.
A verdade era que o fogão de nossa casa era nada menos que um apoio para o filtro de água e não, nem me fale de água. Digo nossa casa, porque éramos três as habitantes dessa estranha casa: eu, a mulher de terra; Mar, a mulher de água e a panterinha albina-de-olhos-azuis-celestes, também de água.
Notem que água predomina. E não sem efeito, como viríamos a descobrir, pois a água era o elemento dominante daquele apartamento. Estávamos todas submetidas, sem saber, a uma poderosa entidade doméstica - uma entidade de natureza líquida - encarnada pelo que parecia ser uma inofensiva mangueira. Especificamente a mangueira da máquina de lavar.
O fato é que alguns meses se passaram antes que a verdade viesse à tona. Foi preciso que a casa inundasse três vezes para que enfim desconfiássemos da astúcia daquela mangueira.
Explico.
Em três diferentes ocasiões, o mero pretexto de lavar a nossa roupa serviu aos malignos desígnios desta mangueira. De alguma maneira que ignoramos, ela conseguiu desvencilhar-se do tanque e alagar não apenas a área, como também a cozinha, o corredor, uma parte da sala e do quarto pequenino. Isso em diminutos intervalos de tempo, menores talvez que um quarto de hora.
O único comôdo que permaneceu incólume aos avanços da Água foi o meu quarto - o único quarto-terra da casa.
Meses depois, reconhecemos que demoramos um tanto a desmascarar a ardilosa mangueira. Contudo, feito isso, iniciamos um processo de telurização da casa, para torná-la habitável de novo.

Ainda não sabemos o que virá disso, mas estamos todas grandemente esperançosas de viver em uma casa menos pantanosa.

*todos os fatos relatados acima são verídicos.

3 comentários:

  1. uhahuahuahuaauhahuahuauhauhauhahuauhhuaauhahuahuahu!!!!!

    btw: eu sou uma pessoa que tem arroubos de tomada de poder. as vezes, a casa, entidade ardilosa, me domina, outras vezes eu tomo as rédeas. mas ela sempre se vinga. enfim, a vida é assim.

    saudade tb, sis. tô de volta na globo até dia 8. e dia 25 vou dar um pulo em sp pra fazer um curso de planejamento de casamentos. aliás, estou com uns 3 ou 4 projetos sendo executados e/ou planejados simultaneamente. como pode ver, cansei de ser pobre. rs. (o problema é q a pobreza não cansa de mim, oh hell.)

    besos!

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  2. conheço a história, já contada e divertida, mas não antes lida.
    porém, o fato contado, escrito, ganha forma e formas. manufaturado em tom de brainstorm, eu sei, mas como tudo, sujeito a críticas.
    o "explicou" diz muita coisa sobre pedras que eu tenho na mão...

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  3. Pedras? Depois me explica melhor...

    "Explicou" ou "explico"?

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