Desencaixotando Rita

Desencaixotando Rita

terça-feira, 6 de maio de 2014

incidente de bodas

beibe,
meu paletó de bolinhas azuis
escolheu dependurar-se no cabide
mais honesto do seu armário;
os sapatos quadrados de flapper
esconderam-se debaixo das suas
inúteis gavetas de cuecas,

e já avisaram: não partirão.

ainda é cedo, meu bem,
mas não temos recursos,
tampouco a resistência
dos laicos vãos para
combater a cólera
dos objetos -

antevejo um anel incognoscível
[ainda pouco visível a olho nu]
cingir-se derradeiramente
no meu dedo esquerdo 

- o dedo que conduz ao coração.

aquela coroa de hortênsias
pende, suspensa no ar,
com véu, auréola sorrateira,
prestes a deitar sobre mim
chuvas de arroz e riscos
de tinta azul e raios
                 e raios
                   e raios
. as sutis monções que desem-
bocam no sul
de um país imaginário
nos trazem bênçãos: elas vêm
em tríades de cobre, chumbo

e outros metais nobres
que a-pa-re-ce-rão
intocáveis, imensuráveis,
em nome dos objetos
sólidos e dos que nunca o serão

virão também aqueles que representam
        os noivos e noivas gasosos
                 que outrora mergulharam 
                        de livre escolha
                               ao olho ígneo do furacão.

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