Desencaixotando Rita

Desencaixotando Rita

quarta-feira, 4 de junho de 2014

ninando o monstro

pequenas amostras suaves
de inferno, preciosos cascos

me embalam
no ritmo da cantilena antiga
[tão minha conhecida]
de atabaques e alambiques
de pinga sintética

a melodia se repete
num crescente, frenesi
que promete fundo, mas
para retornar sempre ao mesmo ponto,

à mesma pausa,
imobilidade mórbida.
para onde jurei nunca mais voltar

um pedido educado:

que ninguém afirme nunca
que a loucura é outra coisa,
senão uma profunda ironia
do retorno, uma inevitabilidade circular
que ignoramos para seguir em frente
e de volta
e de novo.

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